domingo, 14 de março de 2010

.
Esse texto foi postado pela primeira vez no dia 24 de abril de 2006, com uma pequena alteração e não tem nome.

Olhou-o nos olhos. Ele baixou os dele. Continuou encarando-o e ele sentia seu olhar como um tapa. Doía muito mais do que uma surra. Quis erguer os olhos e mandar que se calasse, mas ela não dizia nada. Queria sacudi-la e bater nela por fazê-lo sentir-se assim. Queria que ela gritasse e brigasse com ele, mas ela não fez nada disso. E a odiou por isso, por não apontá-lo, por não massacrá-lo, por não fazer dele uma vítima, por não lhe dar uma desculpa, por não minimizar sua culpa sendo pior, sequer igual. Quando ele conseguiu erguer os olhos, os dela não estavam mais duros como antes. Não eram brandos também. Apenas eram. Então ela se virou e se foi. Quis ir atrás dela, chegou a erguer o braço para impedi-la. Entretanto não podia. Não podia mais. Não tinha mais esse direito. Baixou a cabeça sentindo sua presença desvanecer. E ela se foi.
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário