.
Este texto foi publicado pela primeira vez no dia do aniversário de 49 anos da minha mãe. Foi escrito para a publicação de um fanzine que os Escritores Infames editaram em Bauru. Os Infames somos amigos que nos juntamos para escrever, expôr-nos uns aos outros e festejar sempre que possível. Infelizmente só tivemos uma edição de nosso fanzine querido. Como era o primeiro, o tema era "primeira vez". Não ser óbvio fazia parte da brincadeira.
Ela entrara em sua casa pela primeira vez naquele mesmo dia. Dia! Já era fim da tarde, na verdade. Veio trazida por um amigo em comum e já havia largado copos pela casa com sobras de água e Saint Remy como se estivesse em sua própria sala. Esquecera uma saia no banheiro quando se trocara para irem à festa e usou sua pasta de dentes de manhã quando acordou! No dia seguinte, duas horas depois de terem ido dormir (ela no sofá da sala, ele em sua própria cama, esclareça-se!), teve a audácia de acordá-lo para levá-la até o metrô! Hmm, ok, ele mesmo se oferecera...
Deixou aquele ser na plataforma de ônibus, despediram-se, ela entrou em seu "para todos" e ele seguiu em sua moto voltando para casa. E no caminho ía lembrando, pensando, analisando cabalisticamente aqueles olhares nada furtivos que ela jogava contra ele enquanto dançava, girava, malucava ao som de prodígios e outros bichos. Aqueles olhares afogueantes que ele tentara bravamente fingir que não estava notando. Aqueles primeiros atrevimentos...
.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário